1 INTRODUÇÃO

A elaboração deste trabalho tem por objetivo definir, identificar, os diferentes tipos de deficientes físicos e suas características. O artigo citado apresenta a Lei regulamentadora da Inclusão do aluno com Necessidades Educativas Especiais (NEE) em escola regular.

A percepção do professor ao identificar o aluno com a Deficiência, a adequação da escola e sala de aula para o aluno com Necessidades Educativas Especiais (NEE).

Identificar os aspectos educacionais importantes para a prática pedagógica com o portador de deficiência física, visando o desenvolvimento e aprendizagem da criança com necessidades especiais e o desenvolvimento neuropsicomotor. A importância do ambiente no desenvolvimento dessa criança, a utilização de recursos e materiais pedagógicos adaptados, desenvolvimento de Atividades Cooperativas.

A inclusão no meio escolar e social do portador de deficiência física.



2 DEFINIÇÃO

É a alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções (Decreto nº 5.296/04, art. 5º, §1º, I, “a”, c/c Decreto nº 3.298/99, art. 4º, I).


3 TIPOS / CARACTERÍSTICAS

• Amputação – perda total ou parcial de um determinado membro ou segmento de membro;

• Paraplegia – perda total das funções motoras dos membros inferiores;

• Paraparesia – perda parcial das funções motoras dos membros inferiores;

• Monoplegia – perda total das funções motoras de um só membro (inferior ou superior);

• Monoparesia – perda parcial das funções motoras de um só membro (inferior ou superior);

• Tetraplegia – perda total das funções motoras dos membros inferiores e superiores;

• Tetraparesia – perda parcial das funções motoras dos membros inferiores e superiores;

• Triplegia – perda total das funções motoras em três membros;

• Triparesia – perda parcial das funções motoras em três membros;

• Hemiplegia – perda total das funções motoras de um hemisfério do corpo (direito ou esquerdo);

• Hemiparesia – perda parcial das funções motoras de um hemisfério do corpo (direito ou esquerdo);

• Ostomia – intervenção cirúrgica que cria um ostoma (abertura, ostio) na parede abdominal para adaptação de bolsa de fezes e/ou urina; processo cirúrgico que visa à construção de um caminho alternativo e novo na eliminação de fezes e urina para o exterior do corpo humano (colostomia: ostoma intestinal; urostomia: desvio urinário);

• Paralisia Cerebral – lesão de uma ou mais áreas do sistema nervoso central, tendo como consequência alterações psicomotoras, podendo ou não causar deficiência mental.


4 LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL.

A Educação Especial na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - Lei 9394 de 20 de dezembro de 1996

Capítulo V- Da Educação Especial- (Artigos 58 ao 60)

A lei entende como educação especial a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais. Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas do aluno, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular.

A oferta de educação especial é dever constitucional do Estado e tem início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil, devendo os sistemas de ensino assegurarem aos educandos com necessidades especiais, currículos, professores e outras condições de organização escolar adequadas às necessidades, inclusive dos superdotados.

Em todo o mundo se iniciou um processo de reintegração da criança portadora de deficiências ou distúrbios de aprendizagem na Escola e classes comuns.

O nome desse movimento mundial é Educação Inclusiva, que propõe o atendimento da criança em classes comuns, garantindo-se as especificidades necessárias, com um atendimento de um professor especialista ao professor da classe comum.

O mais importante documento que norteia a Educação Inclusiva é a Declaração de Salamanca.

Esta é ao mesmo tempo, uma Declaração de Direitos e uma proposta de ação. Surgiu na Conferência Mundial, patrocinada pela UNESCO em junho de 1994, em Salamanca, na Espanha.

Tem como objetivo maior garantir o direito a todos os alunos, com qualquer grau de deficiência ou distúrbio de aprendizagem, ao que comumente chamamos e Educação Comum.


5 O PROFESSOR IDENTIFICA AS DIFICULDADES.

O professor é que na maioria dos casos sugere aos pais a busca por orientação médica, essa orientação se dá através de uma observação severa dos movimentos da criança, comportamentos como o de cabeça e tronco, sentar rolar, na hora da alimentação e do sono não fundamentais para esse diagnóstico de alterações importantes no desenvolvimento.

Pode ocorrer o caso de a criança já ter sido diagnosticada com a deficiência, o objetivo então se torna o de inclusão no ambiente escolar, permitindo que ela faça parte das propostas definidas para a turma participando e sendo assistida pelo professor atentamente.

Considerando o aspecto legal inserido na lei, e o científico em que de acordo com Vygotsky apud CARNEIRO (1991, p.101) "o ser humano cresce num ambiente social e a interação com outras pessoas é essencial a seu desenvolvimento", estas exigências requererem da escola uma nova estrutura, um novo conceito em relação à formação do futuro cidadão e uma visão renovada de seus conceitos e pré-conceitos com relação ao diferente.

"A questão da integração representa um movimento de inovação do sistema de ensino que, em princípio, já deveria existir, abrangendo as diferenças existentes mesmo entre os não deficientes" CARNEIRO (1997, p.33).



6 MODIFICAÇÃO DO AMBIENTE ESCOLAR

Algumas modificações são necessárias para a inclusão dos portadores de deficiência física, abaixo segue uma lista com sugestões para melhorar a acessibilidade e o convívio.

6.1 MODIFICAÇÕES NO PRÉDIO ESCOLAR:

1. Pequenos degraus inclinados ou rampas.

2. Corrimões próximos a bebedouros, a assentos dos banheiros e à lousa.

3. Remoção de classes para possibilitar a passagem de cadeira de rodas, ou muletas.

4. Modificação, nas classes e cadeiras para maior conforto dos que tipoias, órteses e próteses.

5. Tapetes antiderrapantes.

6. Portas largas.

7. Cantos arredondados no mobiliário.

6.2 MODIFICAÇÕES EM SALA DE AULA

1. Forrar a classe com papel, com fita adesiva, para facilitar à escrita.

2. Suportes para livros.

3. Assentos giratórios nas carteiras.

4. Descanso para os pés.

5. Aumentar o calibre do lápis, enrolando-o com fita crepe, cadarço ou ainda espuma.

6. Mobília que atenda problemas específicos do aluno.

7. Providenciar ajudas especifica conforme as necessidades do aluno.

7 DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM DA CRIANÇA COM NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS EM RELAÇÃO À DEFICIÊNCIA FÍSICA

O modo que ocorre o desenvolvimento de uma criança sem deficiência deve ser a base para qualquer avaliação da criança com deficiência física. Devemos avaliar alguns pontos principais para o desenvolvimento de toda criança.

• O desenvolvimento ocorre da cabeça para os pés. Primeiro controla os olhos, depois as mãos e braços, posteriormente ocorre o domínio dos pés, passando a explorar o meio.

• O desenvolvimento também ocorre da área central do corpo para a periférica, primeiro ocorre o domínio do braço e coxa, depois mãos e pés e logo após os dedos, partindo assim do geral para o específico dos grandes para os pequenos músculos.

Conforme os autores:
É normal que a criança com deficiência encontre dificuldades na interação com o meio, mas mesmo essas diferenças não deverão ser entendidas como padrão de dificuldades que pode ser estabelecido para julgar todas as crianças que se enquadram nesse perfil. A qualidade do relacionamento com os adultos (pais na família, professor na escola) será determinante para minorar ou agravar a descoberta de habilidades e de possibilidades da criança nas suas tentativas de interação social (VAYER & RONCIN, 1989).

8 MATERIAIS E RECURSOS ADAPTADOS

Cada aluno apresenta um tipo de NEE em especial, os materiais devem ser adaptados com o propósito de facilitar e auxiliar o aprendizado desse aluno. Os materiais devem ser confeccionados a partir da necessidade do aluno em sala de aula.

Devemos levar em consideração alguns pontos necessários para a confecção do material:

• Necessidades do aluno;
• Características físicas e motoras;
• O desenvolvimento e interação do aluno no ambiente de aula
• Observar o aluno no contexto em sala de aula;
• Definir os materiais utilizados;
• Experimentar o material com o aluno;
• Observar se o material supriu as necessidades do aluno, adaptando sempre que necessário.



8.1 BANCO DE IDÉIAS DE MATERIAIS ADAPTADOS

8.1.1 Dominó das cores

Facilitam à nomeação das cores, as peças são grandes e para facilitar o manuseio, o material pode ser higienizado, pois é confeccionado com tinta lavável.
Descrição: Material feito em madeira, medindo 4 cm de comprimento, 9 cm de largura e 1 cm de espessura. Cada peça possui duas cores. Uso de tinta lavável.

8.1.2 Jogo da memória

Desenvolve a memória visual e atenção concentrada, pode ser trabalhada com figuras que contenham meios de transporte, relação entre quantidade e numeral ou qualquer outro assunto trabalhado em sala de aula. O material é de simples manuseio, pode ser manuseado com pinças laterais, em dois ou mais dedos ou ambas as mãos para empurrar e virar as peças.
Descrição: Jogo elaborado com tampas de maionese ou qualquer outro tipo de tampa do tipo médio a grande, colados sobre pares de figuras.

8.1.3 Quadro Agarradinho

Disponibiliza ao aluno uma alternativa de comunicação. Desenvolvido para alfabetização de alunos com paralisia cerebral.
Descrição: Material confeccionado com lâmina de compensado, forrado com espuma fina e encapado com tecido emborrachado. Quatro faixas de velcron que permitem grudar saquinhos cheios de areia ou arroz. Nesses saquinhos são colados numerais, letras ou formas geométricas. O quadro mede 70 cm de comprimento por 50 cm de largura, tamanho ajustável à necessidade do aluno.

8.1.4 Multiplicação em Pizza

Material confeccionado para alunos com dificuldades em manusear lápis e papel. Permite a multiplicação entre os números apenas trocando o multiplicador central.
Descrição: Em madeira de forma circular, com diâmetro de 35 cm e espessura de 2 cm, no centro possui uma abertura também em forma de círculo, na qual os multiplicadores podem ser trocados. Recurso acompanhado de toquinhos de madeiras em forma de quadrados com os numerais inscritos, que serão utilizados para exibir o resultado da operação aritmética.

8.1.5 Atividades de recorte

A criança com deficiência física não pode participar de atividades de recorte e colagem a menos que a tesoura seja adaptada, temos que analisar qual é o tipo de habilidade (fechar ou bater a mão) desse aluno e assim construirmos uma tesoura adaptada. Se esse aluno não consegue usar a tesoura e segurar o papel devemos passar a atividade que era individual para coletiva, um aluno segura o papel, o outro recorta e um próximo passa a cola, assim todos juntos podem participar da atividade.

8.1.6 Atividades de Desenho e Pintura

Para as atividades de desenho e pintura podemos desenvolver algumas adaptações, podemos fixar a folha com fita adesiva na classe, adaptar o lápis de colorir com espuma macia enrolada na volta do lápis para aumentar a superfície de contato, adaptar uma bola de borracha encontrada em farmácias e utilizada como “sugador de leite” no lápis, são algumas possibilidades além de órteses para melhorar a posição da mão.

9 ADAPTAÇÕES DE ACESSO AO CURRÍCULO

Conforme: Parâmetros curriculares Nacionais: Adaptações Curriculares / Secretaria de Educação Fundamental. Secretaria de Educação Especial. – Brasília: MEC / SEF/SEESP, 1998.

Correspondem ao conjunto de modificações nos elementos físicos e materiais do ensino, bem como aos recursos pessoais do professor quanto ao seu preparo para trabalhar com os alunos. São definidas como alterações ou recursos espaciais, materiais ou de comunicação que venham a facilitar os alunos com necessidades educacionais especiais a desenvolver o currículo escolar.

9.1 MEDIDAS DE ADAPTAÇÕES DE ACESSO AO CURRÍCULO

• criar condições físicas, ambientais e materiais para o aluno na sua unidade escolar de atendimento;

• propiciar os melhores níveis de comunicação e interação com as pessoas com as quais convive na comunidade escolar;

• favorecer a participação nas atividades escolares;

• propiciar o mobiliário específico necessário;

• fornecer ou atuar para a aquisição dos equipamentos e recursos materiais específicos necessários;

• adaptar materiais de uso comum em sala de aula;

• adotar sistemas de comunicação alternativos para os alunos impedidos de comunicação oral (no processo de ensino aprendizagem e na avaliação).

9.2 SUGESTÕES AO ACESSO DO CURRÍCULO

• agrupar os alunos de uma maneira que facilite a realização de atividades em grupo e incentive a comunicação e as relações interpessoais;

• propiciar ambientes com adequada luminosidade, sonoridade e movimentação;

• encorajar, estimular e reforçar a comunicação, a participação, o sucesso, a iniciativa e o desempenho do aluno;

• adaptar materiais escritos de uso comum: destacar alguns aspectos que necessitam serem apreendidos com cores, desenhos, traços; cobrir partes que podem desviar a atenção do aluno; incluir desenhos, gráficos que ajudem na compreensão; destacar imagens; modificar conteúdos de material escrito de modo a torná-lo mais acessível à compreensão etc.;

• providenciar adaptação de instrumentos de avaliação e de ensino aprendizagem;

• favorecer o processo comunicativo entre aluno-professor, aluno aluno, aluno adultos;

• providenciar softwares educativos específicos;

• despertar a motivação, a atenção e o interesse do aluno;

• apoiar o uso dos materiais de ensino-aprendizagem de uso comum;

• atuar para eliminar sentimentos de inferioridade, menos valia e fracasso.

9.3 ALUNOS COM DEFICIÊNCIA FÍSICA

• sistemas aumentativos ou alternativos de comunicação adaptado às possibilidades do aluno impedido de falar: sistemas de símbolos (baseados em elementos representativos, em desenhos lineares, sistemas que combinam símbolos pictográficos, ideográficos e arbitrários, sistemas baseados na ortografia tradicional, linguagem codificada), auxílios físicos ou técnicos (tabuleiros de comunicação ou sinalizadores mecânicos, tecnologia microeletrônica), comunicação total e outros;

• adaptação dos elementos materiais: edifício escolar (rampa deslizante, elevador, banheiro, pátio de recreio, barras de apoio, alargamento de portas etc.); mobiliário (cadeiras, mesas e carteiras); materiais de apoio (andador, coletes, abdutor de pernas, faixas restringidoras etc.); materiais de apoio pedagógico (tesoura, ponteiras, computadores que funcionam por contato, por pressão ou outros tipos de adaptação etc.);

• deslocamento de alunos que usam cadeira de rodas ou outros equipamentos, facilitado pela remoção de barreiras arquitetônicas;

• utilização de pranchas ou presilhas para não deslizar o papel, suporte para lápis, presilha de braço, cobertura de teclado etc.;

• textos escritos complementados com elementos de outras linguagens e sistemas de comunicação.

10 CONCLUSÃO

A Integração Escolar é um movimento que visa acabar com a segregação favorecendo, assim as intenções sociais de estudantes deficientes com estudantes considerados normais. Atualmente já é possível perceber resultados positivos a nível de ensino e da aprendizagem (Englert et AL.,1992; Skrtic et AL., 1996; Wang, 1996).

Podemos perceber que a adaptação do meio escolar para as crianças que apresentam Necessidades Educativas Especiais é bastante trabalhosa e diária, mas é dever do cidadão ter direito a educação em escolas regulares e o professor em conjunto com todo o meio escolar deve ser capaz de proporcionar a inclusão em sala de aula e com os demais colegas para que todos ganhem com esse convívio, o retorno a dedicação é enorme são crianças que respondem aos estímulos propostos e só trazem ganhos para todos inseridos no processo de inclusão escolar. Pais, professores, direção, pedagogas e colegas de aula todos serão capazes de identificar o quão é valida essa integração para a vida em sociedade.



REFERÊNCIAS

http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?185 Acesso em: 20 março. 2010.

http://portal.mec.gov.br/index.php?Itemid=860&catid=192%3Aseesp-esducacao-especial&id=12654%3Asaberes-e-praticas-da-inclusao-educacao-infantil&option=com_content&view=article Acesso em: 12 abril. 2010.

http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/rec_adaptados.pdf Acesso em 16 abril. 2010.

http://www.musica.ufrn.br/licenciatura/pcn.pdf Acesso em 05 maio. 2010

Schirmer, Carolina R. et al. Atendimento Educacional Especializado. Deficiência Física. Brasília/ DF 2007.

Saberes e práticas da inclusão: desenvolvendo competências para o atendimento às necessidades educacionais de alunos com deficiência física/neuro-motora. [2. ed.] / coordenação geral SEESP/MEC. - Brasília: MEC, Secretaria de Educação Especial, 2006. 36 p. (Série: Saberes e práticas da inclusão)

CARNEIRO, Rogéria. Sobre a Integração de Alunos Portadores de Deficiência no Ensino Regular. Revista Integração. Secretaria de Educação Especial do MEC, 1997.

B823p Brasil. Secretaria de Educação Especial. Portal de ajudas técnicas para educação: equipamento e material pedagógico para educação, capacitação e recreação da pessoa com deficiência física: recursos pedagógicos adaptados / Secretaria de Educação Especial - Brasília: MEC: SEESP, 2002, fascículo 1. 56p: il.

Mantonvan. Maria Teresa Eglér. A integração de pessoas com deficiência: contribuições para uma reflexão sobre o tema. São Paulo; Memmon; Editora SENAC. 1997.



(Necessidades Educativas Especiais)
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